domingo, 12 de junho de 2011

Aos apaixonados

Que o dia de hoje sele a renovação de um sentimento. Que você consiga sentir de novo aquele frio na barriga da primeira vez que o viu jogar seu charme, e você diga quão bonita ela está, vendo-a com aqueles olhos de romance novo. Que olhem nos olhos enquanto falam, só pra lembrar do gosto bom do flerte antigo, misturado a uma certeza de sinceridade que só o tempo conseguiu trazer. Falem palavras doces e sem sentido, sejam bobos e bregas, como só o amor permite. Escrevam cartas de amor ridículas, como disse Fernando Pessoa, mas que tem um significado todo especial para quem lê. Abrace apertado, beije com carinho, andem de mãos dadas só pra resgatar a beleza do toque. Discorram conversas intermináveis sobre um dia de estudos ou as besteiras da televisão atual. Escutem a música de vocês, sentindo cada verso. Façam de uma data, uma oficina para aprender a amar um pouco mais. Sejam intensos como um começo e seguros como o que já é antigo. E no mais, felicidade a todos os casais apaixonados.


Ao nosso amor, toda a felicidade do mundo.


Ingrid Tinôco

domingo, 1 de maio de 2011

Devolve a doçura

Queria a leveza do antes tendo a certeza que poderia. Cansou de parecer boba sabe? Mas essa seriedade não cabia no sorriso tamanho G que lhe marcava o rosto. Sentia-se pela metade, faltava o lado bonito que um dia lhe marcara a alma e lhe fizera amável. Precisava, porém, de uma segurança, uma mão disposta e uma palavra(e gestos) que lhe dessem a certeza que valia a pena. Certeza…aquela que afasta o medo, entende?

Precisava romancear novamente, escrever bonito pra dar gosto a quem lê. Desejava. E despertar a pontinha de inveja boa de um amor danado de bonito que teima em encantar os olhos que passam curiosos. E achava bom lembrar daquele gostinho de ansiedade, daquela sensação gostosa de satisfação pelo nada.

Queria ser feliz e fazer feliz, sem medida e sem tamanho. Sentou no chão, olhando cartas e versos antigos e lembrou que ainda restava o bom e que podia remar, re-amar, era só querer…e queria.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Até o fim do que acredito

Vou até o fim batendo no peito ao dizer que me importo. Porque isso é bonito, sabe?! Essa vontade inerente de que você pode mudar as coisas se quiser. Vou acreditar até me fazerem descrer que entrelinhas são feitas pra versos, não para relações. Que sinceridade se constrói com palavras claras e sentimentos escancarados, com olho no olho e vontade. Vontade de fazer, ter e ser o bem pra quem acredita; que é dividir pensamentos e sensações. Vou continuar com a certeza de que lealdade tem muito mais a ver com aceitar defeitos, segurar firme a mão e dizer “Vamos juntos e seja o que Deus quiser”, do que fingir presença. Ser leal é não deixar pra lá, entende?! É interesse. É se fazer necessário. É demonstrar. É botar orgulho e egoísmo de lado sempre que for preciso(para alguém). É o ombro, o colo e o cafuné nas noites insones. É qualquer coisa que chamem de companheirismo. É aprender sutileza, perspicácia e doar-se.

Que eu não perca essa vontade de ser. E que se eu cair, que mostre as marcas orgulhosa com a certeza de que vivi, tentei e chamando aquilo de coragem ao invés de frustração. Que eu não me mascare por medo e exite por receio. Que o presente não me dificulte o futuro e que eu me conserve assim, em paz.

"Cuida bem de mim, então misture tudo dentro de nós."


Ingrid Tinôco

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Acorda!

“Porque ninguém vai dormir nossos sonhos.”

É que ninguém me perguntou o quanto doíam as quedas da cama todas as vezes que a fantasia ficava interessante. Ninguém assoprou meus machucados ou me recolocou pra dormir. Deixaram que eu acreditasse em sonhos para dizer-me, na cara dura, que eles não existiriam para mim.

Difícil é depender dos outros.


Ingrid Tinôco

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ouve?

Quando a melodia toca errada, das duas uma: ou troca-se o disco, ou realinha-se a agulha. O embolar dos ritmos faz-se notar até aos mais leigos.

Disco pesado pra unidade.

Eu (suspiros) tenho ouvido apurado.


Ingrid Tinôco

domingo, 19 de dezembro de 2010

Amigos

Conta-se os amigos pelo cheiro de lembrança que eles te despertam à distância, pelas risadas em domingos entediantes, pelas longas conversas que não dizem nada ou revelam tudo, pelas lágrimas encharcando o ombro ou as confissões no escuro sob um céu sem estrelas. Sabem-se amigos pela falta, pela necessidade, pelo carinho, pela compreensão. Descobrem-se amigos pela independência, pelo respeito, pela falta de palavras e o entendimento mútuo, claro, leve. Certificam-se amigos quando distância não afasta, quando tempo não modifica; quando seus defeitos são aceitos e ditos à queima-roupa, sem rodeios, pro seu próprio bem; quando suas vitórias são comemoradas com sinceridade e verdade, como se fossem dele e as derrotas são amparadas sem titubear. Sentem-se amigos quando não se precisa declarar, quando abraços falam tanto quanto olhares e sobra entendimento, sobra sentimento.

Tenho amigos a quem ainda não declarei verdades guardadas, mas por quem tenho respeito e amor suficiente para prostrar-me ao lado mesmo sem pedidos. Tenho aqueles de longa e de força, que não há tempo que enfraqueça ou distância que afaste. Tenho os de longe mesmo perto, que o sentimento abranda mas não modifica. E tenho ainda os futuros, que o tempo não deixou consolidar, mas resta a pontinha de desejo, o coleguismo afeituoso e a felicidade da união.

Agradeço hoje a todos os meus amigos, pelo tudo e pelo nada. Porque acredito que não existe “obrigado(a)” cabível naquilo que a gente faz por prazer e repete por vontade.

A eles, todo o meu carinho.



Ingrid Tinôco

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sombra

É que eu também tenho meus dias de sombra, sabe? Em que a necessidade de um abraço pode se transformar nas piores frases, ditas nos piores momentos. E eu posso nem me importar se você fala sempre a verdade. Nesses dias, você vai desejar não ter deixado aquela brincadeira subentender perigo. Vai entender que é importante não omitir, mesmo sem querer e vai aprender que a minha capacidade criativa pode ir além do que se pode imaginar ou do que eu posso transparecer possuir.

Eu vou me desculpar, mas vou fazer de novo, em questão de minutos. Me desculparei de novo no dia seguinte, menos tensa, menos chata, menos “tá que tá” como alguém diria e nós até riremos de tudo, mas vou voltar a repetir semana que vem, mês que vem, ou até daqui a anos.

Fazer o que se eu preciso de dias para exigir muito e me explicar pouco? Para colocar pra fora minha intolerância guardada a chaves e minha impaciência que eu tento esconder diariamente?!

Minha sombra raramente anuncia tempestade, mas eu preciso fechar o tempo pra relembrar o valor do claro.



Ingrid Tinôco