Ingrid Tinôco
09/11/2011
Já fiz de areia, castelos. Hoje, faço de vírgulas, frases e textos inteiros. Chego a montar romances completos, ou novelas, com tramas entrelaçadas e finais diversos. É por isso que eu tenho problemas com vírgulas - e reticências, devo confessar. Elas têm o poder infinito de remexer todos os lados dessa imaginação que eu teimo em controlar, mas que insiste em me desobedecer (deve ter vindo desacoplada pensando ser independente) e pode ser perigosa.
Por isso eu peço, por tudo que existe nesse mundo: Não me deem vírgulas, nem quero reticências de presente. Fico mais feliz com frases prontas, com textos inteiros, com perguntas retóricas, e se me derem interrogações, que venham seguidas de pontos. Sou exigente, não é? Então tá, esquece o resto, me basta o ponto. O ponto e sua certeza, sua precisão, sua severidade e sua capacidade de ser completo mesmo minúsculo. A incrível habilidade de ser acalmada com um ponto, ou de transtornar de vez, mas sem esse “meio-termozinho” medíocre. Gosto da segurança do ponto: rendondo, pequeno e concreto.
Ingrid Tinôco
Que o dia de hoje sele a renovação de um sentimento. Que você consiga sentir de novo aquele frio na barriga da primeira vez que o viu jogar seu charme, e você diga quão bonita ela está, vendo-a com aqueles olhos de romance novo. Que olhem nos olhos enquanto falam, só pra lembrar do gosto bom do flerte antigo, misturado a uma certeza de sinceridade que só o tempo conseguiu trazer. Falem palavras doces e sem sentido, sejam bobos e bregas, como só o amor permite. Escrevam cartas de amor ridículas, como disse Fernando Pessoa, mas que tem um significado todo especial para quem lê. Abrace apertado, beije com carinho, andem de mãos dadas só pra resgatar a beleza do toque. Discorram conversas intermináveis sobre um dia de estudos ou as besteiras da televisão atual. Escutem a música de vocês, sentindo cada verso. Façam de uma data, uma oficina para aprender a amar um pouco mais. Sejam intensos como um começo e seguros como o que já é antigo. E no mais, felicidade a todos os casais apaixonados.
Ao nosso amor, toda a felicidade do mundo.
Ingrid Tinôco
Queria a leveza do antes tendo a certeza que poderia. Cansou de parecer boba sabe? Mas essa seriedade não cabia no sorriso tamanho G que lhe marcava o rosto. Sentia-se pela metade, faltava o lado bonito que um dia lhe marcara a alma e lhe fizera amável. Precisava, porém, de uma segurança, uma mão disposta e uma palavra(e gestos) que lhe dessem a certeza que valia a pena. Certeza…aquela que afasta o medo, entende?
Precisava romancear novamente, escrever bonito pra dar gosto a quem lê. Desejava. E despertar a pontinha de inveja boa de um amor danado de bonito que teima em encantar os olhos que passam curiosos. E achava bom lembrar daquele gostinho de ansiedade, daquela sensação gostosa de satisfação pelo nada.
Queria ser feliz e fazer feliz, sem medida e sem tamanho. Sentou no chão, olhando cartas e versos antigos e lembrou que ainda restava o bom e que podia remar, re-amar, era só querer…e queria.