sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Amor-desconstrução

Eu vim pra contrariar o racional. Cheguei pra insistir no riso frouxo e papo leve, nas nossas conversas intermináveis e cócegas censuradas. Fiquei porque era bom, mesmo quando não devia, mesmo quando não podia. É que eu sempre me deixei levar pela conversa mole, mesmo sem acreditar. E no fundo eu sabia que não era igual, que não podia ser igual, não daquele jeito. E a gente foi, antes mesmo de ser. E eu ri por dentro quando você me disse que amor não acontecia, que amor era construção (alguém mais cético que eu não pode!). Fiquei pra te mostrar que não, que amor é descuido, é cuidado, é abraço que fala e confidências contidas, é construção sim, mas também desconstrução... De conceitos, preconceitos, de amarras e blindagens. E você me veio coração, como eu nunca pude imaginar. E eu quis ser poesia, toda aquela que eu insisti em negar. E hoje eu sou amor, e você é também, meu bem.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pois então vem, 
Aí me cora as faces e me confunde olhos e me arranca o tempo. 
E joga com meu corpo e me conquista os risos e me atira os braços e me aguça os cheiros. 
E vem. 
Vem pra me tirar juízo, me surpreender sentidos, me elogiar o tom. 
E eu vou
Como quem não sentiu, quem não partiu, quem nunca se quebrou. 
E a gente se confunde
Porque como unidade, somos um belo par. 
E todo mundo diz, todo mundo fala, 
Mas como poesia, somos de todo prosa, 
E deve-se acabar.

domingo, 29 de março de 2015

Colorir

As cores de abril vêm pintando meu peito antes cinzento. Deixei chover na alma pra levar o ruim e tomei as rédeas dos meus próprios medos. Resolvi ser por mim, não pelos outros. Retomei doçura e acidez para quando me for conveniente. Permiti-me chorar pelas minhas dores inventadas, pelas dos outros inacabadas e pelas bobagens de um tubo de imagem. Entreguei-me a prazeres passados e me reencontrei, porque flutuar de corpo e alma sempre foi meu desejo mais íntimo, e era(é) ali onde eu chegava(chego) mais perto de tudo. Entrei em exaustão física e psiquicamente, e foi necessário pra perceber que manter a calma é essencial, mesmo que os hormônios indiquem o contrário. Passei a achar graça dos que me olhavam de cima abaixo, porque desdém e inveja a gente guarda no bolso e deixa se perder, como os papéis antigos em um jeans lavado. O tempo ainda me domina e me tira do sério, mas venho tentando brincar com ele para que eu possa ser a primeira a rir de mim mesma quando as coisas derem certo, ou não. O dever de casa é controlar a inquietude, mas vamos aos poucos sem deixar descolorir.

terça-feira, 10 de março de 2015

Para quem nunca e quem sempre (no amor e dor)

Quem nunca sofreu por amor, que atire a primeira pedra. Aos impenetráveis que nunca o fizeram, os digo: que pena! O arriscar vale tão a pena que o arrependimento depois pode ser esquecido. E a beleza da recuperação e o aprendizado do pós superam qualquer dorzinha de cotovelo que reste (e a lembrança das lágrimas no colo alheio, os porres com dedos levantados ao som de qualquer brega e deve pagar, também, o aluguel das suas amigas porque, né?! Coitadas!)

Digo isso porque venho vendo tanto prolongamento de sofrimento que me parte o coração (que, Graças a Deus, anda bem inteiro ultimamente). Sério. Aprendi com a minha longa experiência de vida (Beirar os 25 não é fácil. Já vejo rugas!) que quando não está bom, a gente muda o ritmo que é pro batuque soar certo. Porque não tem samba que me faça dançar bonito se tiver um rock pesado tentando atrapalhar (e eu nem sei sambar, vale dizer). Mas é que tem gente que tenta fazer o mix dar certo até o último instante! Até quando ninguém quer mais tocar, até quando não existe nem letra, nem som, nem instrumento, nem nada. Até quando falta sentimento (e tento! Como diria no interior). A gente inventa um dueto quando, na verdade, a apresentação já virou solo faz tempo. Mas e daí? Inventa que o outro é segunda voz mesmo quando ele não quer saber de cantar?

Acho que é hora de fechar as cortinas. Já deu, né?! Pesadas, eu sei. Vai ser difícil se esconder na coxia. Vai doer até você achar que não suporta mais (Ok, menos drama, por favor!). Vão pairar inúmeros pensamentos diferentes oscilando entre: "foi melhor pra mim" e "ele/ela é o homem/mulher da minha vida, não vou mais encontrar ninguém igual". Encontra, filho(a), o mundo tem bilhões de habitantes, será possível que só de um você se agrade? E se, mesmo com toda essa oferta, não se afeiçoar por mais ninguém, me (te) pergunto, quando foi que disseram que sua felicidade depende de outro? Tem esse tópico na cartilha da vida? Avisa aí que essa minha página foi arrancada.

Ser racional toda hora é chato, impede vivências e "metodifica" o que nem sempre deve ter método, mas sentimentalismo demais só funciona em filmes água com açúcar e fora da realidade. Tem horas que o mimimi tem que ser deixado de lado pelo bem da sanidade mental (sua e dos outros), pela necessidade de continuar com a vida, pelos planos que estão por vir enquanto você está aí, estagnado por amor. Ai Cristo! É muito triste escrever isso e saber que é exatamente assim com algumas pessoas: a vida girando em torno de um amor mal resolvido.

É bem verdade que se deve deixar sofrer, é importante chorar, sabe? Parece que seca a angústia. Não se deve negar o que foi vivido. Amou? Sim. Se entregou? Demais. Tô triste? Nem se fala. Mas quando chega a hora, deve-se reconhecer que o ciclo se fechou. Vou curtir a fossa 5 dias, 2 semanas, 1 mês... Depois vou lembrar do quanto me sentia bem sozinha. Do quanto abdiquei dos meus desejos em função do outro e do quanto posso voltar a ser quem eu sempre quis. Fazer aquela viagem incrível. Retomar seu foco na carreira. Colocar meu salto 12 (ok, 10 no meu caso) e sair pra dançar até as pernas doerem e rir das cantadas bobas que os marmanjos (que você achava que nem iam olhar pra você) vão me dizer e lembrar como é bom dar foras (haha). Se fazer bonita de novo, nem que isso comece de fora pra dentro. Nem que se pinte o cabelo, compre sapatos (YEYYYY! SAPATOS!!!). Mulher é assim, e já deu pra perceber que isso aqui é puramente feminino.

Aí, de repente, você percebe como com o outro era bom, mas como o "comigo mesma" é melhor ainda. E vai seguir, pronta pra próxima queda, mas mais forte e menos boba. Ciente de que, mais dia, menos dia, vai se iludir outra vez. E desiludir. E se iludir de novo. Até que um dia a ilusão vai virar realidade e você (e ele) vão seguir. Pra sempre ou não. Mas sabendo: Até onde der...


À amiga que precisa dessa dose de realidade AGORA,

Com amor (e sem dor)...

Dd (Ingrid Tinôco)
10/03/2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Então penso que é melhor seguir assim: não sou teu, nem és de mim, apesar de sim, a gente já ser de nós. Vai, vai sem mim, que espero, enfim, saber o que vem depois.

Ingrid Tinôco
06.02.15

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Põe, moça, o sorriso no rosto e sai, pisa firme e gargalha do tempo que logo se esvai. Vê o sol, pede cores e amores... só cores, talvez. Dorme teu sono e ensaia teus versos perdidos, bem-quistos. Grita as verdades e ri das maldades que elas não vêm. Dança sem medo e faz do teu jeito que logo ele vem. E se não vier - me perdoe! - mas moça, "cê" sabe, não é de ninguém.

Ingrid Tinôco
22/01/2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Quando fechei a porta enquanto você batia insistentemente, me doeu a alma. Sabia que trancava a casa (e o coração) aquele que já havia se esparramado no sofá, bagunçado minhas coisas e dado cor as minhas paredes. Mas é que agora eu tinha cacos a juntar, sabe? E quando eu colava pacientemente os (meus) pedaços, vem você me tocar a campainha e me fazer tremer, derrubando tudo novamente. Estabilidade ilusória. A fresta que eu abri pra vê-lo fez entrar luz, remexeu sentimentos e me abriu sorrisos; mas o sopro de vento reacendeu as dores de um passado próximo. E eu bati por dever, e chorei por não querer.

"Decisão
 Dê-cisão"
(Pó de lua)

Ingrid Tinôco
23/12/2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Estaremos ali

Sim, serei sempre a morena dos olhos d'água, pois foi assim até o derradeiro encontro. E você me verá quando Chico cantar qualquer coisa, enquanto Roberta continuará com nossas músicas ensaiadas e Nando recitará Aquela. Estarei sempre na acidez das balas do cinema, na pizza do domingo e nas listas de livros. E eu vou continuar a jogar com palavras, aquelas mesmas do "elo" que um dia você questionou. 


E então o amor vai virar bom dia, a cumplicidade dos olhares, mera educação. E memórias serão fotos e fatos só nossos que virão em segredo nos atiçar a mente quando o cheiro nos trouxer lembrança. E eu já nem uso mais o perfume que você escolheu pra mim, ele virou história. E você já nem lembra das juras que um dia fiz, isso virou passado. 


Nossos planos continuarão ali, inacabados, como as obras de um governo que sempre foi discórdia. E os novos virão para machucar os egos e atiçar ciúmes do que um dia foi posse.


E se o futuro for pra nós saudade? E se meu sapato continuar a pisar no teu dentro do armário enquanto teu paletó enlaça meu vestido sem me deixar sair?


Esperemos, então, o tempo da delicadeza, quem sabe?! Enfim...




"Nos seus livros, nos seus discos, vou entrar na sua roupa e onde você menos esperar... Eu vou estar..."

(Capital Inicial)


Ingrid Tinôco

18/09/2014


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Logo eu, que nunca precisei fingir interesse, escuto meias-verdades enquanto vejo certezas. É muito pau pra pouca cara de, viu?! Recebe mesmo os beijos oferecidos por outrem, porque vinda dos meus lábios, agora, só lhe resta a educação.

"Estes laços hoje são estilhaços"
(Eu me chamo Antônio)

Ingrid Tinôco

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sobreviventes

O coração angustia dores nunca antes sentidas e a mente tenta acalmá-lo com a racionalidade de quem esqueceu do passado. Nos perdemos naquele mar e esquecemos, desta vez, os remos que outrora nos fizeram tão fortes. Hoje, nadamos em direções opostas, nos iludindo de que estamos seguindo a mesma maré. Já não sou sua sua âncora, já não és meu colete. Sei que não posso mais alcançá-lo, mas o medo de afogar-me longe de ti faz com que, ainda assim, a água me invada. Logo eu, que me orgulhava em não cansar de nadar (remar). 

E desta vez, exausta, não sei quem irá nos salvar.

Ingrid Tinôco

terça-feira, 22 de julho de 2014

Foi a pediatria...

Pelas vezes que me fui princesa para adentrar aos castelos alheios sem despertar o choro, ou me fiz menino, para que a intimidade não constrangesse tanto. Pelos exames sentada ao chão ou de joelhos sobre a mesa de brinquedos, já que os "iguais" se entendem melhor. Pelos momentos em que o estetoscópio pareceu machucar e as mãos, ora macias, simulavam arranhar a pele e despertar as lágrimas, desesperadoras para mim, tão verde na nova arte, e para eles, tão novos nesse mundo estranho. Pelas cócegas ao exame abdominal, que me tiraram o riso e por tantas tentativas frustradas de um exame mais calmo. Pelos pequenos médicos que descobri, incentivei e para os quais fui paciente, com muito gosto. Pelos menores que com medo segurei, pequenos diamantes, tão frágeis e fortes, a quem me confiaram o corpo. Pelos que descobriam as palavras aos poucos e pareciam querer usar todas de uma só vez. Pelos maiores que me confiaram segredos, que me ouviram com responsabilidade e me aceitaram como a uma amiga. Por ter redescoberto a leveza da vida, a magia do brincar e a sinceridade dos olhos. E por fim, por todos os abraços tímidos e sorrisos escancarados que me mostravam os dentes e as almas daqueles que, tão novos na escola da vida, me ensinaram tanto na arte do cuidar.

Ingrid Tinôco
Junho 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Vai ter copa, sim?

Hoje ouvi Fernanda Takai cantando que "só a gente sabe emocionar cantando o hino a capela" junto a um trecho desse fato (quem foi atleta sabe como o coração bate forte enquanto isso acontece) e mais outros versos bonitos, e eu quis que aquilo tudo fosse verdade. Sério, eu queria me animar com essa copa, queria sim vestir verde amarelo, oferecer aquelas festas animadas pros gringos e mostrar o futebol-arte que, convenhamos, a gente sabe fazer. Eu quis estar ansiosa pra ver como isso vai movimentar o país e pros jogos que - me julguem o quanto quiser - vou assistir nos novos estádios superfaturados.

E pode ser que eu até faça tudo isso. Mas eu ainda não consegui! Como muitos, cansei tanto de ver desgraça no país do futebol que qualquer "esmolinha" de coisa boa é "pão e circo", é "jogo político", é "vitória comprada e eleição vencida", isso me cansa e dá é vontade de dormir durante os gritos de gol.

Eu acho que esporte é uma coisa absurdamente incrível, mas sabemos que isso não é só esporte, é evento e política, então, eu queria uma copa que trouxesse educação e saúde junto. Sabe quando a gente arruma a casa pra visita chegar? Pronto! Mas eu queira faxina completa, entendem? Receber os gringos falando inglês, mostrando minhas crianças alimentadas e educadas, seus pais empregados e todos agradecendo ao SUS pelo atendimento de qualidade, queria profissionais satisfeitos enquanto trabalhavam numa casa em que as coisas funcionavam como previsto (ao invés de receber bolsa-auxílio sem lavar um prato), queria levar as visitas a um passeio, sem que precisasse deixar às máquinas e os celulares em casa por medo de assaltos. Tá, tudo bem, é utopia demais, pois que pelo menos mostrássemos as tentativas de organização (e isso não significa tapumes escondendo obras inacabadas, leitos falsos em hospitais decadentes ou mobilização das forças armadas pra garantir parcialmente a segurança).

Mas isso, infelizmente, não vai acontecer. E, se por um lado eu queria que nos envergonhássemos na frente das visitas pra ver se melhoramos nas próximas, se eu queria que o administrador da casa levasse a mesma vaia que ele(a) recebeu durante um show esses dias (foi lindo e um abraço para os defensores da autoridade máxima); por outro, acho que roupa suja se lava em casa sem sequer os vizinhos ouvirem (quanto mais os visitantes). E se a festa custeada com o dinheiro do leite das crianças e do plano de saúde, piso furado e goteira pingando já está marcada, então, façamos o mínimo de esforço para que flua só para não desperdiçar os bilhões.

Mas se não quiser ajudar, que não atrapalhe. Os protestos de outrora de nada adiantaram, uma pena, é verdade, por isso não acredito que agora irão. Só seremos motivo de fofoca e chacota na rua e disso já estamos cheios, né?!

Pois que cada um devia querer ou não querer copa da maneira que lhe convém, cada um tem as próprias opiniões e princípios, amor pelo futebol ou asco a política nacional. Gritando gol ou viajando pra outro país, só acho que mesmo que nos pintemos de verde amarelo, essa pintura precisa perdurar um pouquinho. Sei que depois da festa, a ressaca vem com força, e se há prova no outro dia, é certeza de boletim vermelho (dessa vez, o cuidado é com um botão verde, escrito "confirma").

Eu sei que vou acabar me contagiando pelo sentimento da copa, alienação política ou hipocrisia, sei não, mas vou, é de mim esquecer algumas coisas momentaneamente. Mas não vou ter ressaca sabe?! Primeiro porque não vou me embriagar nem de cachaça, nem de alegria amnésica (que eu acabei de inventar), e vou fazer questão de lembrar quem foi que convidou a visita sem que tivesse limpado o pó dos móveis.

#vaitercopasim, mas também vai ter eleição!

Ingrid, que ainda não se decidiu se grita gol ou tira o atraso do sono acumulado.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Entre clichês

Entre verdades e clichês, fiquei com os fatos. Aquilo de "não cantar felicidade, porque inveja tem sono leve", sabe?! Acho mesmo é que ela vive sempre acordada. Felicidade é algazarra, esperança é efusiva. As minhas são! Pois que acordam ou chamam a bruxa má que mora ao lado.  Quando eu digo ao lado, é colado mesmo, dando bom dia e sorrindo animada. Sempre acreditei em suas máscaras, não vou mentir, me parecem momentaneamente bonitas, de quem vai me oferecer o braço quando eu quiser. Pois que os empurrões vem, inevitavelmente, em seguida. E eu sigo juntando os cacos das quedas imprevisíveis e sempre mal calculadas. Tolinha. Vamos voltar à primeira frase, pra jamais esquecer de mais um "aspeado" de vida: "se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro"... e, de agora em diante, que aticem os ouvidos por entre as paredes.

Ingrid Tinôco

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Lá vem o ano novo (de novo)

Aí você pisca o olho e janeiro virou dezembro, e amanhã? Já é janeiro de novo. Lá vem o Natal, o nascimento de Jesus, o papai Noel e seus presentes , o verão, as férias... e os pensamentos. Estes vem aos montes. Do que se fez, do que não fez, do que deixou de fazer, mas deveria ter feito. E a gente faz mentalmente uma nova lista de resoluções para o ano que, como eu disse, começa amanhã, mesmo que o outro tenha iniciado ontem e não tenha dado tempo de você riscar nem o número 1 da sua lista antiga. Aí você mentaliza algumas prioridades-clichês: a paz do branco que vai estar na sua roupa, o amor que todo mundo precisa,  saúde já que "o resto a gente corre atrás", sorte e dinheiro porque ganhar na mega-sena da virada não seria nada mal. Então você passa para as mudanças que vai fazer em si mesma: ser mais calma, ter mais paciência, ser mais solidária, passar mais tempo com quem você ama, abraçar mais, gastar menos, estudar mais, trabalhar em dobro, adiar menos, usar menos a internet e voltar a ler mais, mudar os cabelos, ter uma barriga chapada, comer menos doce e mais salada, passar no concurso X, viajar ao lugar Y e mais uns 365 itens que, hoje, você tem certeza de que há dias suficientes para que sejam cumpridos a partir de 01/01.
 
Pra isso tudo se resolver, a gente pula ondas à meia noite, guarda os caroços de sei lá o quê na carteira, joga flores à Iemanjá, reza pra todos os santos, ora a Deus e promete a si mesmo que 2014 vai ser diferente e melhor, claro.
 
É sempre assim, e eu acho bonito isso tudo, sabe? Em resumo, esperança é, para mim, a palavra-sinônimo do ano novo. Porque não importa se você faz todas as coisas que eu falei acima ou nenhuma delas, no fim das contas, uma virada de dia que marca apenas a mudança no calendário parece significar a renovação dos ânimos e dos impulsos que nos movem. E quer sentimento melhor que esse para aqueles que planejam novos feitos?
 
Pois que o nosso ano novo seja assim, cheio de esperanças na nossa nova lista de resoluções (que pode nem se cumprir, mas é importante que exista). Que você consiga riscar o máximo dos seus objetivos contidos nela. E se não conseguir? Paciência!! Se ontem era o ano passado e amanhã já é o ano que vem, o "ano depois do que vem" já vem logo em seguida e não tarda para que as esperanças se renovem outra vez.
 
E se você não entendeu nada dessa minha matemática problemática (trauma de infância), procure "apenas" lembrar do sentimento dessa virada de ano pelos próximos 365 dias.  Tente manter a esperança em si e nos outros o máximo que puder, renovando-a diariamente, se possível for. Quem sabe, assim, você (e eu também, ok?!) termine o ano que vai começar, se não feliz, REALIZADO!
 
E que venha 2014!!!
 
Ingrid Tinôco

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aos (meus) mestres

Desde quando meu vocabulário era escasso e minhas mãos incoerentes, quando o lápis ainda não desenhava nem a forma das vogais, vocês estiveram ali, prontos e aptos a me lapidarem. Quando chegaram as somas mirabolantes, as equações mais difíceis, a história tão antiga e a terra a ser descoberta pelos livros, vocês estiveram ali, dispostos a nos passarem o possível e o impossível de conhecimento, mesmo que a petulância adolescente insistisse em desestimular até os mais pacientes. Quando chegaram as provas de vestibular, o cursinho, os ânimos à flor da pele e a vida adulta batendo a minha porta, foram vocês quem estiveram ali, fazendo da dificuldade o estímulo, das quedas o aprendizado e do mestre, o amigo disposto a oferecer colo às lágrimas e palavras às desilusões. E quando me chegou o sonho, foram vocês a mostrarem o caminho, a anatomia, a fisiologia e como é bonita essa máquina própria que se chama ser humano. A primeira ausculta veio guiada pelas vossas mãos, enquanto as minhas, trêmulas, tateavam no escuro o desconhecido, a clínica se abriu em flores, versos e angústias; mas foram vocês a mostrarem o quão bela é essa ciência pela qual temos que nos apaixonar diariamente para que as dificuldades da vida não nos tire as esperanças. E hoje, é a vocês, professores de todas as fases e tempos, que eu dedico meu obrigada mais sincero e minha gratidão eterna.

Ingrid Tinôco

domingo, 1 de setembro de 2013

Dia lindo sem palavras

Acordara disposta, as gotas finas de chuva que salpicavam a janela pintavam a tela perfeita para bons textos. De pijama e chinelo arrumou o laptop entre as pernas e prendeu os cabelos para dar o ar de intelectualidade  caderno em mãos junto à caneta preferida. Era um dia lindo para belos textos, quem lhe diria o contrário? Olhou aquela folha branquinha de linhas perfeitas e já vislumbrou a caneta deslizar palavras certinhas, contando casos de amor, de revolta ou de sofrimento, como todo bom texto que se preza tem que ter. Olhou, olhou, olhou... Mas não veio um sequer caso de amor, bom ou mal; as revoltas não tomaram formas cabíveis e o sofrimento, nem se fala, fazia tempo que não tinha um daqueles grandes e "bons", sabe? Que tiram fôlego, lágrimas e todo o juízo em forma de letras. Bateu desespero, angústia, tristeza, bateu até fome, mas escrita que é bom, nada! Não vinha. Não tinha ideia que chegasse, música que inspirasse ou sentimento que brotasse. Se começar era impossível, terminar era indefinível. Coração e cérebro desconectaram, era a única explicação. "E agora, José?", ela gostava tanto daquela mistura de razão e emoção batidas com gosto agridoce. Desistiu. Voltou a dormir no travesseiro que tantas vezes lhe arrancara choros e prosas, foi acariciar o protagonista das confissões de outrora e pedir-lhe umas novas... n-o-v-a-s, entendeu? Adormeceu sem sonhos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Luta perdida

Talvez o diálogo tenha se perdido em meio a estrada de risos, talvez tenha morrido lutando, tentando tomar o lugar do monólogo que, pasmem, contraditoriamente, tanto o invejava. Penso que ele se esvaiu na rotina e levou consigo a admiração, o interesse. O monólogo ficou sozinho como sempre, mas dessa vez calado. Mudo como quem perdeu a voz, mas a verdade é que palavras explodem num coração inquieto. Silenciou em uma espera inútil à procura do que nunca vem, para, em seguida, voltar a trabalhar insistentemente. Parece incansável essa unidade, mas há quem diga que o calar é uma despedida amarga de quem tanto lutou...e perdeu.

Ingrid Tinôco 
(27/03/2012)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E se eu gostava da (nossa) bagunça organizada
De uma leveza quase que inventada
Quem vai agora me provar sem falhas
Que existe ordem pra minha deCORAÇÃO?!

Ingrid Tinôco

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tempo

Sinto-me tomada pelo tempo como marionete de pano. Joga-me como quer, onde quer. Rege minha vida sem ordem, atrapalhando planos, atordoando o sono, diminuindo o bom e prolongando nada. Meu tempo desistiu dos atrasos até nas horas de tédio e ócio. Que horas de ócio? Não há tempo pra isso! É preciso correr, tropeçar, levantar, afinal, o futuro é amanhã, menina, e quem parar, o tempo leva! Sem dó ou piedade. Como levou minha calma, minha alma, meu prazer do lento bem degustado, bem analisado, bem pensado e bem perfeito. Pode não! Tem que correr que o tempo é curto, a vida breve e quando a gente pára (se pára?!) para pensar: TCHAU! Já fomos... sem ser!


Ingrid Tinôco
09/11/2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Memórias

"Nunca mais romance; Nunca mais cinema; Nunca mais drinque no dancing"
A história de Lily Braun - Chico Buarque


Sem vocação pra Lily Braun, pensou em fases. Nunca fora de breguices e planos, mas amoleceu, imaginou e desejou. Ora ceticismo, Ora fantasia. Pensou no filme e quis declarações, daquelas bobas escritas em guardanapos com batom ou ketchup, sabe? Que te faz rir e lembrar... para sempre. Sempre é uma palavra forte, como memórias. Quis borboletas, frio, o pé levantado que nunca existiu, mas que fica bonito numa tela gigante. Hoje não era rotina, nem a obrigação, nem o texto que virou mecânico porque já passou tempo demais. Hoje não era femme fatale nem em cima de um salto 12, de cabelos soltos, olhos marcados e vestido justo. Hoje era balões e flores, doces e palavras, era imagens coloridas e claras, congeladas num tempo bom. Era vento no rosto, abraços e olhares. Era câmera lenta e risadas sem fim, era açúcar e...

...amor - palavra bonita em moldura da gente, viu?!

Ingrid Tinôco